quarta-feira, 18 de maio de 2011


“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. 

Como descrever? 
Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, 
em vez de refletir sobre o que me veio, 
ajo quase que imediatamente. 
O resultado tem sido meio a meio:
 às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham,
 às vezes erro completamente,
 o que prova que não se tratava de intuição,
 mas de simples infantilidade.
       
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos.
 E até que ponto posso controlá-los.
 [...] 
Deverei continuar a acertar e a errar, 
aceitando os resultados resignadamente? 
Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? 
E também tenho medo de tornar-me adulta demais: 
eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, 
do que tantas vezes é uma alegria pura.
 Vou pensar no assunto. 
E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. 
Não sou madura bastante ainda. 
Ou nunca serei...”

(Clarice Lispector)

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